Gabarito comentado questões de Penal XXV Exame de Ordem

Gabarito comentado questões de Penal XXV Exame de Ordem

2018-06-14T20:42:52+00:00 Por |Exame de Ordem 2ª Fase|0 Comentários

ÁREA: DIREITO PENAL
“Gabarito comentado questões de Penal XXV Exame de Ordem  corresponde apenas a uma expectativa de resposta,
podendo ser alterado até a divulgação do padrão de respostas definitivo.”
Qualquer semelhança nominal e/ou situacional presente nos enunciados das questões é mera coincidência.”

Prova Prático-Profissional – XXV Exame de Ordem Unificado

PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 1
Enunciado
Lucas, jovem de 22 anos, primário, foi denunciado pela prática do crime de extorsão simples, tendo o magistrado,
em 05/05/2016, recebido a denúncia e decretado a prisão preventiva do acusado. Cumprido o mandado de prisão
no dia seguinte, Lucas permaneceu acautelado durante toda a instrução de seu processo, vindo a ser condenado,
em 24 de janeiro de 2017, à pena de 04 anos e 03 meses de reclusão, além de 12 dias-multa, sendo certo que o
aumento da pena-base foi fundamentado de maneira correta pelo magistrado em razão das circunstâncias do
crime. Foi, ainda, aplicado o regime semiaberto para início do cumprimento da sanção, exclusivamente diante do
quantum de pena aplicada, e o valor do dia-multa foi fixado em 3 vezes o salário mínimo, em razão das
circunstâncias do fato.
Apesar de não se opor à condenação, nem à pena aplicada, Lucas, ainda preso, pergunta a seu advogado sobre a
possibilidade de recurso para aplicação de regime de cumprimento de pena menos gravoso, ainda que mantido o
quantum de pena. Também informa ao patrono que não tem condições de arcar com a multa aplicada, pois mora
em comunidade carente e recebia, antes dos fatos, remuneração de meio salário mínimo pela prestação de
serviços informais.
Considerando apenas as informações narradas, na condição de advogado de Lucas, responda aos itens a seguir.
A) Qual o argumento a ser formulado em sede de recurso para alteração do regime prisional de início de
cumprimento de pena aplicado, mantida a pena final em 04 anos e 03 meses de reclusão? Justifique.
(Valor: 0,65)
B) Qual argumento a ser apresentado em sede de recurso em busca da redução do valor do dia-multa aplicado?
Justifique. (Valor: 0,60)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.

Gabarito comentado
A) O argumento a ser apresentado pela defesa de Lucas é que o período de pena provisória cumprido deverá
ser computado para aplicação do regime inicial do cumprimento de pena, nos termos do Art. 387, § 2º do Código
de Processo Penal, de modo que o regime a ser fixado é o aberto. De início, destaca-se que a questão não
apresentava elementos suficientes para justificar um pedido de redução de pena, de modo que a pena final
aplicada fosse de até 04 anos e permitisse a aplicação do regime aberto. Ademais, o próprio enunciado da
questão requer que o patrono de Lucas apresente argumento para alteração do regime ainda que mantida a pena
de 04 anos e 03 meses de reclusão. Em princípio, estabelece o Art. 33, § 2º, alínea b, do Código Penal, que cabível
o regime semiaberto ao condenado não reincidente, quando a pena aplicada for superior a 04 anos ou não
exceda a oito, como é a situação de Lucas. Ao mesmo tempo, estabelece o Art. 42 do Código Penal que será
computado, na pena privativa de liberdade, o tempo de prisão provisória, disciplinando, assim, o instituto
conhecido como detração. Outrossim, o Art. 387, § 2º, do Código de Processo Penal, acrescentado pela Lei nº
12.736/12, prevê expressamente que o tempo de prisão provisória será computado para fins de determinação do regime inicial de pena privativa de liberdade. No caso, Lucas ficou preso por período superior a 08 meses,
período esse que deve ser computado como pena cumprida, na forma da detração, para determinação do regime
inicial. Assim, considerando os oitos meses apenas para fins de aplicação do regime inicial, seria possível a
aplicação do regime aberto.
B) Na sentença condenatória, entendeu o magistrado que os dias-multa deveriam ser fixados no valor de 3
vezes o salário mínimo em razão das circunstâncias do fato. Ocorre que é pacificado o entendimento
jurisprudencial, em especial diante da previsão do Art. 60 do Código Penal, que o critério para fixação do VALOR
do dia-multa será o da capacidade econômica do réu. Na situação apresentada, Lucas era pessoa humilde, que
recebia, antes da prisão, remuneração de meio salário mínimo em razão da prestação de serviços informais, logo
não se justifica o fundamento apresentado pelo magistrado para fixação do valor do dia-multa.

PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 2
Enunciado
Rodrigo, pela primeira vez envolvido com o aparato judicial, foi condenado definitivamente, pela prática do crime
de rixa, ao pagamento de pena exclusivamente de multa. Para pensar sobre as consequências de seu ato, vai para
local que acredita ser deserto, onde há uma linda lagoa. Ao chegar ao local, após longa caminhada, depara-se
com uma criança, sozinha, banhando-se, mas verifica que ela tem dificuldades para deixar a água e, então,
começa a se afogar.
Apesar de ter conhecimento sobre a situação da criança, Rodrigo nada faz, pois não sabia nadar, logo acreditando
que não era possível prestar assistência sem risco pessoal. Ao mesmo tempo, o local era isolado e não havia
autoridades públicas nas proximidades, além de Rodrigo estar sem celular ou outro meio de comunicação para
avisar sobre a situação. Cerca de 10 minutos depois, chega ao local Marcus, que, ao ver o corpo da criança na
lagoa, entra na água e retira a criança já falecida. Nesse momento, Rodrigo verifica que a lagoa não era profunda
e que a água bateria na altura de sua cintura, não havendo risco pessoal para a prestação da assistência.
Após a perícia constatar a profundidade da lagoa, Rodrigo é denunciado pela prática do crime previsto no Art.
135, parágrafo único, do Código Penal. Não houve composição dos danos civis, e o Ministério Público não
ofereceu proposta de transação penal, sob o argumento de que havia vedação legal diante da condenação de
Rodrigo pela prática do crime de rixa.
Considerando apenas as informações narradas, responda, na condição de advogado(a) de Rodrigo, aos itens a
seguir.
A) Existe argumento a ser apresentado pela defesa para combater o fundamento utilizado pelo Ministério
Público para não oferecer proposta de transação penal? Justifique. (Valor: 0,60)
B) Qual argumento de direito material poderia ser apresentado em busca da absolvição do denunciado?
Justifique. (Valor: 0,65)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.
Gabarito comentado
A) Sim, existe argumento. Inicialmente deve ser destacado que o delito imputado a Rodrigo, ainda que
considerando a aplicação da pena de maneira triplificada em razão do resultado morte, é de menor potencial
ofensivo. Prevê o Art. 76 da Lei 9.099/95 que o Ministério Público poderá oferecer proposta de aplicação imediata
de pena restritiva de direitos ou multa, caso não haja composição dos danos e não seja hipótese de
arquivamento. Todavia, o próprio Art. 76, em seu parágrafo 2º, traz hipóteses em que a proposta de transação
penal não poderá ser realizada. O inciso I do dispositivo mencionado afirma que não caberá a proposta quando o
autor da infração já tiver sido condenado, pela prática de crime, por sentença definitiva, à pena privativa de
liberdade. Na hipótese apresentada, Rodrigo possuía condenação anterior com trânsito em julgado, mas apenas
ao cumprimento de pena de multa e não pena privativa de liberdade. Assim, não há vedação legal, podendo o
Ministério Público oferecer proposta de transação penal.

B) Rodrigo deve ser absolvido pois sua omissão ocorreu em erro de tipo. Para configuração do delito de
omissão de socorro, previsto no Art. 135 do Código Penal, é preciso que a omissão tenha ocorrido quando era
possível ao agente prestar assistência sem risco pessoal. Rodrigo somente não agiu porque acreditava que existia
risco para si, já que não sabia nadar e a criança estava se afogando na lagoa. Em que pese a lagoa fosse rasa e não
apresentasse risco para Rodrigo, ele não tinha conhecimento de tal situação, logo agiu em erro sobre a elementar
“sem risco pessoal”. Havendo erro sobre elementar do tipo, a consequência é o afastamento do dolo, somente
podendo o agente ser responsabilizado se o erro for evitável e prevista a modalidade culposa do delito, nos
termos do Art. 20 do Código Penal. No caso, o crime do Art. 135 do Código Penal não traz a modalidade culposa,
logo o fato é atípico.

Gabarito Comentado 2ª Fase - Questões Direito Penal

Gabarito Comentado 2ª Fase – Questões Direito Penal

 

PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 3
Enunciado
Na cidade de Goiânia funciona a boate Noite Cheia, onde ocorrem shows de música ao vivo toda sexta-feira. Em
razão da grande quantidade de frequentadores, os proprietários João e Maria estabeleceram que somente
poderia ingressar na boate aquele que colocasse o nome na lista de convidados, até 24 horas antes do evento.
Em determinada sexta-feira, Eduardo, morador de São Paulo, comparece ao local com a intenção de assistir ao
show, mas foi informado sobre a impossibilidade de ingresso, já que seu nome não constava na lista.
Pretendendo ingressar ainda assim, Eduardo ofereceu vantagem indevida, qual seja, R$ 500,00, a Natan,
integrante da segurança privada do evento, em troca de este permitir seu ingresso no local sem que os
proprietários soubessem. Ocorre que a conduta foi filmada pelas câmeras de segurança e, de imediato, Natan
recusou a vantagem, sendo Eduardo encaminhado à Delegacia mais próxima.
O Ministério Público ofereceu denúncia em face de Eduardo pela prática do crime de corrupção ativa consumada,
previsto no Art. 333 do Código Penal. Durante a instrução, foi expedida carta precatória para determinada cidade
de Minas Gerais, para oitiva de Natan, única testemunha, tendo em vista a mudança de endereço residencial do
antigo segurança do estabelecimento, não sendo a defesa de Eduardo intimada do ato, uma vez que consta
expressamente do Código de Processo Penal que a expedição de carta precatória não suspende o feito. Após o
interrogatório, a defesa de Eduardo é intimada a apresentar alegações finais.
Considerando as informações narradas, na condição de advogado(a) de Eduardo, responda aos itens a seguir.
A) Para questionar a prova testemunhal produzida durante a instrução, qual o argumento de direito processual
a ser apresentado pela defesa? Justifique. (Valor: 0,65)
B) Em busca da absolvição de Eduardo pelo delito imputado, qual o argumento de direito material a ser
apresentado? Justifique. (Valor: 0,60)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.
Gabarito comentado
A) O advogado de Eduardo deve alegar que ocorreu cerceamento de defesa, havendo violação aos princípios do
contraditório e da ampla defesa, tendo em vista que não houve intimação em relação à expedição da carta
precatória, conforme determina o CPP, que prevê expressamente, em seu Art. 222, que as partes deverão ser
intimadas. De fato, conforme consta do enunciado, a expedição de carta precatória, de acordo com o Art. 222, §
1º, do CPP, não gera suspensão do processo. Todavia, essa informação não se confunde com a necessidade de
intimação da defesa em relação à expedição. A jurisprudência admite que não ocorra intimação da defesa em
relação à data da audiência a ser realizada no juízo deprecado somente no caso de ter ocorrido a devida
intimação em relação à expedição da carta precatória, nos termos da Súmula 273 do Superior Tribunal de Justiça,
o que não ocorreu na hipótese

B) O argumento a ser apresentado é o de que, apesar de Eduardo ter oferecido vantagem indevida para o
segurança do estabelecimento para que ele não praticasse ato de seu ofício, não há que se falar em crime de
corrupção ativa. O crime de corrupção ativa, previsto no Art. 333 do Código Penal, é crime praticado por
particular contra a Administração Pública em Geral. Ocorre que, no caso, a vantagem foi oferecida para particular
e não funcionário público, logo o fato é atípico.

PADRÃO DE RESPOSTA – QUESTÃO 4
Enunciado
Vitor, 23 anos, decide emprestar sua motocicleta, que é seu instrumento de trabalho, para seu pai, Francisco, 45
anos, por um mês, já que este se encontrava em dificuldade financeira. Após o prazo do empréstimo, Vitor, que
não residia com Francisco, solicitou a devolução da motocicleta, mas este se recusou a devolver e passou a atuar
como se proprietário do bem fosse, inclusive anunciando sua venda.
Diante do registro dos fatos em sede policial, o Ministério Público ofereceu denúncia em face de Francisco,
imputando-lhe a prática do crime previsto no Art. 168, § 1º, inciso II, do Código Penal.
Após a confirmação dos fatos em juízo e a juntada da Folha de Antecedentes Criminais sem qualquer outra
anotação, o magistrado julgou parcialmente procedente a pretensão punitiva, afastando a causa de aumento,
mas condenando Francisco, pela prática do crime de apropriação indébita simples, à pena mínima prevista para o
delito em questão (01 ano), substituindo a pena privativa de liberdade por restritiva de direito.
Considerando apenas as informações narradas no enunciado, na condição de advogado(a) de Francisco, responda
aos itens a seguir.
A) Para combater a decisão do magistrado, que, após afastar a causa de aumento, imediatamente decidiu por
condenar o réu pela prática do crime de apropriação indébita simples, qual argumento de direito processual
poderia ser apresentado? Justifique. (Valor: 0,60)
B) Qual argumento de direito material, em sede de apelação, poderia ser apresentado em busca de evitar a
punição de Francisco? Justifique. (Valor: 0,65)
Obs.: o(a) examinando(a) deve fundamentar as respostas. A mera citação do dispositivo legal não confere
pontuação.
Gabarito comentado
A) O argumento de direito processual a ser apresentado seria no sentido de que não poderia o magistrado, de
imediato, condenar o réu pela prática do crime de apropriação indébita simples, tendo em vista que com o
afastamento da causa de aumento, a pena mínima prevista para o delito do Art. 168, caput, do Código Penal
admite o oferecimento de proposta de suspensão condicional do processo, de modo que deveria o magistrado ter
encaminhado os autos ao Ministério Público para manifestação sobre o previsto no Art. 89 da Lei nº 9.099/95.
Ressalta-se que todos os demais requesitos previstos no dispositivo estão preenchidos, já que Francisco era
primário, de bons antecedentes e as circunstâncias do crime eram favoráveis. Ademais, o Superior Tribunal de
Justiça, na Súmula 337, prevê expressamente que é cabível a suspensão condicional do processo na
desclassificação do crime ou na procedência parcial do pedido.
B) O argumento de direito material a ser apresentado em busca de evitar a punição de Francisco é da aplicação da
previsões do Art. 181, inciso II, do Código Penal, que traz o instituto conhecido como escusa absolutória. Em que pese a conduta praticada por Francisco abstratamente se adeque as previsões do Art. 168, caput, do Código
Penal, de acordo com o dispositivo antes mencionado, é isento de pena quem comete crime previsto no título
contra descendente, sendo certo que nenhuma das exceções trazidas pelo Art. 183 do Código Penal ocorreu.
Assim, em sendo o autor do fato pai da vítima e não havendo violência ou grave ameaça à pessoa, é ele isento de
pena, não podendo ser criminalmente punido.

Gabarito Comentado 2ª Fase - Questões Direito Penal

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